
07 ago Agosto Lilás: nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha
Todos os dias, milhares de mulheres conciliam o trabalho com desafios que nem sempre aparecem no contracheque. Além da jornada profissional, muitas convivem com situações de violência, ameaças, humilhações, perseguições ou controle dentro e fora de casa. Em muitos casos, o medo de perder o emprego, de não ser acreditada ou de sofrer ainda mais violência faz com que elas permaneçam em silêncio.
Mas nenhuma trabalhadora deveria precisar escolher entre a própria segurança e o seu sustento.
O Agosto Lilás é um mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Em 2026, a campanha ganha um significado ainda mais importante ao marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), uma das maiores conquistas na proteção dos direitos das mulheres no Brasil. A lei fortaleceu mecanismos de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores, reconhecendo que a violência doméstica e familiar é uma grave violação dos direitos humanos.
A violência também afeta a vida no trabalho
A violência não fica do lado de fora da instituição quando a trabalhadora inicia sua jornada.
Ela pode aparecer de diferentes formas: dificuldades de concentração, ansiedade, medo constante, faltas ao trabalho por causa de agressões, ligações insistentes do agressor durante o expediente, perseguições na porta da instituição ou até controle sobre o salário e a vida financeira da vítima.
Também é importante lembrar que o ambiente de trabalho pode ser palco de violência e assédio. Comentários ofensivos, intimidações, constrangimentos, perseguições, insinuações de caráter sexual ou qualquer comportamento que desrespeite a dignidade da trabalhadora não devem ser naturalizados.
Toda mulher tem direito a um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e livre de violência.
Alguns sinais merecem atenção
Nem toda violência deixa marcas visíveis.
Alguns sinais podem indicar que uma trabalhadora está vivendo uma situação de violência:
- medo constante ou mudanças bruscas de comportamento
- isolamento e afastamento dos colegas
- controle excessivo por parte do companheiro ou ex-companheiro
- ameaças, perseguições ou mensagens intimidatórias
- lesões recorrentes com explicações pouco convincentes
- dificuldades frequentes para permanecer no trabalho por causa de conflitos relacionados ao agressor
Cada situação é única. Por isso, o mais importante é acolher, ouvir sem julgamentos e respeitar o tempo e as decisões da vítima.
Se você estiver vivendo essa situação, saiba que a culpa nunca é sua
A responsabilidade pela violência é sempre de quem agride.
Se for possível e seguro, algumas atitudes podem ajudar a preservar provas, como guardar mensagens, e-mails, registros de ligações, fotografias, documentos e anotar datas, horários e locais de episódios de violência ou perseguição.
Esses registros podem ser importantes caso a trabalhadora decida buscar apoio ou recorrer aos órgãos de proteção. Mas a prioridade deve ser sempre a sua segurança.
Você não precisa enfrentar isso sozinha
A violência tende a se tornar mais frequente e ainda mais grave quando não é interrompida. Em muitos casos, ela evolui para formas extremas de agressão e pode culminar no feminicídio, que é o assassinato de mulheres motivado pela condição de gênero.
Se você ou alguém que conhece está vivendo uma situação de violência, procure uma pessoa de confiança e utilize os canais oficiais de atendimento e proteção às mulheres. Em situações de emergência, busque ajuda.
- Em caso de risco imediato, ligue para a Polícia Militar (190).
- Para orientação, acolhimento e encaminhamento, utilize a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito e sigiloso disponível em todo o país.
O Sinbraf-RS reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade, da saúde e da segurança das trabalhadoras. Nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha!